terça-feira, 9 de junho de 2026

Perfeito, pra que mesmo?

 


Recebi este texto no último domingo (07/06) na newsletter da jornalista Joyce Pascowitch (@joycepascowitch). Gostei tanto que resolvi compartilhar com vocês. Aproveitem a leitura!

A gente abre o celular para escolher um restaurante, uma série, um tênis, uma viagem, um par, uma cortina. Qualquer coisa. E, de repente, está ali, há quarenta minutos, rolando a tela como se a vida dependesse daquela decisão. Não depende... mas até parece. Herbert Simon, psicólogo e ganhador do Nobel de Economia, já tinha entendido essa nossa maluquice bem antes do feed virar esse supermercado infinito de ansiedade.

Simon criou uma palavrinha ótima:"satisficing". Uma mistura de satisfazer com suficiente. É quase um pequeno manifesto contra a obsessão pelo melhor. Em vez de procurar até a alma cansar, a ideia é escolher algo bom o bastante e seguir. Simples assim. Bom o bastante. Que frase libertadora, né? Ele mesmo praticava isso com uma disciplina quase elegante. Usava sempre a mesma marca de meias. Tinha uma única boina preta. Comia, todos os dias, meia grapefruit com aveia e café preto. Morou na mesma casa por 46 anos. Não era falta de imaginação: era economia de espírito. A filha dele dizia que, ao simplificar as pequenas escolhas, ele deixava a cabeça livre para o que importava de verdade: o trabalho, as pessoas, a vida. 

Concordo cem por cento com isso: guardar energia para o que é mais necessário.

O problema é que a nossa época transformou a escolha em espetáculo. Temos opções demais. Comparações demais. Vidas editadas demais passando diante dos nossos olhos. Aceitar algo apenas "bom" começou a parecer derrota, como se o mundo estivesse sempre escondendo uma versão mais bonita, mais inteligente, mais magra, mais rica, mais excitante logo depois do próximo clique. Sempre melhor.

Isso aparece em tudo. Até no amor. A pessoa entra num aplicativo de namoro e fica ali, deslizando rostos, adiando qualquer encontro real porque talvez o próximo perfil seja mais interessante. Talvez mais bonito. Talvez mais perfeito. E assim a vida vai ficando em suspenso, presa nessa promessa de que existe sempre uma opção melhor, desde que a gente aguente procurar mais um pouco. O curioso é que essa busca pelo máximo nem sempre entrega alegria. Muitas vezes entrega arrependimento. Entrega inquietação. Entrega aquela sensação de que escolhemos errado mesmo quando escolhemos bem. Os maximizadores, como são chamadas as pessoas que tentam encontrar sempre a melhor alternativa possível, acabam ficando íntimos de uma insatisfação sem fim. Uma espécie de luxo torto: ter muitas opções e nenhuma paz.

E agora ainda temos a inteligência artificial prometendo otimizar tudo. A dieta perfeita. O armário perfeito. A rotina perfeita. O corpo perfeito. Como se a existência pudesse virar uma planilha impecável. Mas talvez viver bem seja justamente aceitar uma certa margem de improviso. Uma meia comum. Uma casa mais velha. Um café preto de manhã. Uma escolha que funciona. No fundo, o "bom o bastante" não é mediocridade. É maturidade. É saber a hora de parar. É entender que nem toda decisão precisa virar uma tese, nem toda compra precisa ser uma epifania, nem todo encontro precisa carregar o peso de um destino. É sinal de sabedoria fechar algumas abas, largar o celular e assumir a escolha feita.

A vida já exige muito da gente. Talvez  não precise exigir exatamente perfeição. Talvez o verdadeiro sinal de inteligência seja perceber quando algo atende ao que precisamos e, com alguma leveza, dizer: está bom. Basta assim.



sexta-feira, 24 de abril de 2026

É preciso paciência!



 

 Minha frase favorita para falar de paciência não é de nenhum pensador oriental ou ocidental. Não consta em manuais de auto ajuda. Não seria citado por um psicólogo famoso em uma palestra importante. Jamais ganharia uma tese. Porque dá para ser cantada: "Debulhar o trigo. Tirar do trigo o milagre do pão". Verso do Milton Nascimento. 

Nessa frase ele resume a virtude da paciência, essa mesma que nos falta todo dia, pelo menos uma ou um milhão de vezes. Porque para que aconteça o milagre do pão é preciso tanta coisa! Debulhar, claro, porque todos os começos envolvem uma dose de ação. Depois misturar, amassar, ficar com os braços doloridos e, finalmente, pronto? Não. Finalmente, forno. Depois de tanto trabalho é preciso que o fogo acalente a massa para que ela cresça, se multiplique e vire milagre. Se isso acontece com o pão, imagine com a nossa própria vida? Quantas vezes não desistimos no meio do caminho ou achamos a etapa do fogo desnecessária em nossas decisões?  E para isso é preciso paciência. Não se faz milagres com pressa, horas. A paciência é uma virtude trabalhosa. 

Hoje em dia o próprio ritmo da vida se encarrega de nos empurrar para frente. Decisões, prazos, agora, já, now. Não nos damos mais o tempo de misturar os ingredientes e esperar crescer. Como vamos ter mais solidez na vida? Tudo que não tem base desmancha no ar. É isso que você quer?

Se for, tudo bem. Exclua a paciência dos seus dias. Se não, acostume-se a esperar um bocado. A entender que quando começa a desprender um delicioso aroma pela casa, o pão ainda não está pronto. Mas vai ficar. E quem tem paciência, tem na verdade, coragem. Boa sorte! E não se apresse. A tal felicidade não corre.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Carnaval


Se você está planejando neste Carnaval um pouco de descanso, elaborei um guia de sugestões para colocar em prática  nestes dias de folga.
 
Banho e Massagem
 
Aproveite os dias de folga para tomar um banho relaxante e investir na automassagem. Eu gosto muito de massagear  minhas mãos pois acho que acumulam muita tensão. Aplique um pouco de creme em uma das mãos. Com os dedos da outra mão realize movimentos circulares iniciando pelo músculo que fica abaixo do polegar ou seja massageie o polegar da base até o topo. Você vai observar que tanto as mãos como os ombros, o pescoço e o couro cabeludo relaxam com esta massagem.
 
Aromaterapia para Relaxar
 
Pingue uma a duas gotas de óleo essencial de lavanda nas mãos, esfregue espalhando nas duas palmas, depois respire profundamente quatro vezes.
 
Filmes
 
Amo filmes! Prepare a pipoca! Selecionei alguns que eu assisti e gostei bastante:
 
- Entre facas e segredos (para quem gosta de investigação) (Netflix)
- O Clube do Crime das Quintas Feiras (para quem gosta de investigação) (Netflix)
- Brené Brown The call to courage (para quem gosta de TED Talk) (Netflix)
- Deep Water (para quem gosta de suspense) (Prime Video)
- The Tender Bar (para quem gosta de filmes leves porém com uma história tocante e sensível) (Prime Video)
- Oito Mulheres e Um Segredo (para quem gosta de ação) (Netflix)
- O Pai da Noiva (para quem gosta de comédia) (Netflix)
 
Músicas
 
Você também pode aproveitar estes dias para ouvir músicas. Selecionei algumas que eu gosto muito:
 
- D'ont horry, be happy (Bobby Mc Ferrin)
- Young Hearts Run Free (Ralph)
- Walk at Your Own Pace (Haze Muse)
- Golden December (Michael Miles)
- Sunny (Bobby Hebb)
- Birds of a Feather (Billie Eilish)
- Happy (Pharrel Williams)
- Bubbly (Colbie Caillat)
- Put your records on (Corinne Bailey Rae)
 
Faça sua lista também e aproveite!
 
Um Feliz Carnaval para todos nós!